O professor José Castilho Marques Neto

Mário Pedrosa – memória e início do trotskismo no Brasil

José Castilho Marques Neto*

É sempre muito importante revisitar e debater as ideias e a vida de Mário Pedrosa, intelectual, crítico de arte e militante socialista que detém um referencial ímpar tanto na esquerda brasileira quanto internacional, além de ser um ícone da crítica de arte com repercussões no Brasil, na América Latina e na Europa. Mário tinha uma coerência difícil de encontrar nos tempos que correm entre vida, produção intelectual e atuação militante. Muitas iniciativas comemorando seus 120 anos de nascimento estão acontecendo em 2020/2021, algumas delas feitas pelo Centro de Documentação e Memória-Cedem da Unesp – Universidade Estadual Paulista, que sedia grande parte da documentação de Mário em convênio com o Centro de Documentação do Movimento Operário Mário Pedrosa (Cemap). Mário está sendo comemorado com aquilo de que ele talvez mais gostasse: o exercício livre de analisar seu pensamento, sua atuação, sua trajetória no campo da política e das artes.

Ao mesmo tempo que fico muito honrado com esse convite para dar meu depoimento, meu risco é grande por navegar apenas pela história quando há muitos Mários que podem ser analisados por várias disciplinas e perspectivas para além da história. Mas, pela pesquisa que fiz há quase 30 anos, e pelo depoimento de um convívio curto que tive com Mário Pedrosa, acredito poder ajudar a pensar e entender a personalidade e o perfil desse homem que nos deixou há 40 anos. Meu livro Solidão revolucionária: Mário Pedrosa e as origens do trotskismo no Brasil é resultado de uma tese de doutorado. Defendi a tese em 1992, e o livro saiu em 1993 pela Editora Paz & Terra. A segunda edição, revista e ampliada, foi publicada pela Editora WMF Martins Fontes em agosto de 2022.

Muito deste trabalho se baseou em revelações inéditas de documentos primários: as cartas que Mário mandava da Alemanha e da França para Lívio Xavier e para os amigos, cartas que durante muitos anos levaram a uma tese insuficiente sobre o surgimento do que viria a ser a Quarta Internacional no Brasil, vista quase como fruto de uma conjuração entre poucos amigos. Tive acesso a essas cartas e a uma bibliografia primária muito interessante na biblioteca privada do principal companheiro de Mário daquele período, Lívio Xavier, outro grande intelectual e crítico literário reconhecido, e consegui fazer uma pesquisa que me orientou bastante na busca dos pontos de partida de onde surgiu o primeiro grupo trotskista, que faz agora 91 anos e implantou as bases para todo o desenvolvimento dos que vieram a ser chamados os primeiros trotskistas, nos anos 1920 e 1930.

Uma dessas marcas era exatamente a questão do internacionalismo, e é sobre ela que vou expor rapidamente aqui, mostrando suas importantes bases históricas. Não se trata apenas de um fato histórico a ser notado, mas de toda uma perspectiva metodológica de construção de uma corrente política que em vários momentos do Brasil tornou-se muito importante para a esquerda, marcando o debate político no seu conjunto.

Antes disso, um pequeno depoimento pessoal que gostaria de compartilhar com vocês sobre minha percepção do Mário Pedrosa que conheci. Estive poucas vezes com ele – em torno de quatro, cinco vezes –, e isso em 1979, quando eu já trabalhava no mundo editorial com a Editora Kairós. Por sugestão da professora Otília Arantes, que já estudava a vida de Mário e suas produções no campo da crítica de arte, nós resolvemos lançar um livro com textos de Mário que até então não haviam sido editados. O livro se chama Arte, forma e personalidade, e possui a tese sobre a teoria da Gestalt aplicada à arte, até então inédita, e outros textos. Dentro da função de editor, estive com Mário em seu apartamento na Rua Visconde de Pirajá, no Rio de Janeiro. As visitas, que deveriam demorar pouco tempo, tornavam-se conversas de quatro, cinco, seis horas.

Na época, eu tinha 24, 25 anos, e cada uma dessas visitas foi uma aula de política importante, porque expandia minha visão, a de um universo acadêmico uspiano, paulista, brasileiro. Eu não havia saído do Brasil até aquele momento, conhecendo à distância a vida em outras metrópoles mundiais, ao contrário da internacionalista vida de meu recém autor, que vivera anos a fio no exterior e em plena atividade política e intelectual. Vejo hoje que a complexidade dos problemas postos em nossa interlocução tão desigual por Mário mostrava sua dimensão humana e intelectual como até então eu pouco vivenciara. Mário tinha uma presença no mundo, e não em um lugar particular como no Brasil, nos Estados Unidos, na França, na Alemanha, ou qualquer outro lugar em que já estivera. Seu estar-no-mundo era igualmente múltiplo, diverso, e tem a ver com um olhar-o-mundo ligado a uma visão muito mais aberta, ampla, profunda do que apenas o cenário brasileiro, tanto na política como na arte.

Tive o privilégio de poder conviver com Mário nesses poucos encontros e perceber essa dimensão que, por certo, abriu também algumas portas para sua geração. Com algumas pessoas de seu convívio e camaradagem daqueles primeiros anos de atividade política eu tive a oportunidade de conviver mais intensamente, como é o caso de Fúlvio Abramo, Lélia Abramo, Plínio Melo, Edmundo Muniz e, finalmente, a turma da segunda geração do período, como meu mestre de horizontes, o Professor Antonio Candido, que acompanhei até os últimos momentos.

Em todos eles, o que encontrei? Uma independência intelectual inegociável; uma insubordinação às ortodoxias; a convicção da necessidade de sempre formarmos na política comunidades de sujeitos em contraposição ao culto do individualismo, ao individual que se sobrepõe ao coletivo. Tudo que conhecemos como as mazelas castradoras do capitalismo fez com que Mário e sua geração adotassem a tarefa árdua de analisar o Brasil para além dos limites ideológicos e metodológicos impostos pela esquerda dominada pelo Partido Comunista Brasileiro e a Internacional Comunista sob Stalin. Essa decisão contemplou análises que cultivaram um olhar universal, internacionalista, rigorosamente complexo e não linear da situação política, social e econômica do Brasil.

Isso era e continua sendo algo fascinante, porque o pior que poderíamos fazer – sobretudo quando se trata de uma análise política – seria pensar no simplório, na simplicidade. A complexidade dos grandes temas é notória, e não olhar para esses temas de maneira complexa é também se furtar a uma análise mais acurada e mais necessária, não apenas para os tempos presentes, mas também na perspectiva da história.

De todas as lembranças de que falei, surge-me também algo interessante sobre uma característica perceptível da personalidade de Mário Pedrosa. Todos os depoimentos e todos aqueles que conviveram com Mário – seus amigos e companheiros com quem tive contato – diziam que ele tinha um modo muito arrebatador de ser, porque tinha principalmente o dom da escuta, sabia escutar o outro e, ao mesmo tempo, sabia fazer uma reflexão inteligente sobre a fala que havia escutado formulando sempre um raciocínio além, muitas vezes maroto, muitas vezes impertinente, mas nunca esnobe, afetado, superior. Isto lhe dava uma capacidade de diálogo muito interessante: a firmeza, a convicção, a inteligência, a crítica, sem se colocar como antagônico a seu interlocutor. Esses pontos são interessantes em algumas análises que tive a oportunidade de ler ou ouvir em palestras e estudos, como a do Professor Marco Aurélio Garcia, que o percebe assim, agregador e crítico, em seu processo político durante todos os seus atos, inclusive no período final de sua vida, quando se aproximou do então nascente Partido dos Trabalhadores.

Portanto, gostaria de dizer que, dentro do curto espaço em que estive com ele e daquilo que ouvi das pessoas que conviveram com ele, é impossível analisar a vida e a obra de Mário como se fossem coisas separadas. Na verdade, sua vida e sua obra são uma unidade indissolúvel, não cabendo a artificialidade entre o militante e o intelectual. E o internacionalismo, presente desde o momento inicial de sua vida política e de sua vida intelectual, é algo que marcou muito suas origens.

Entremos no tema e naquilo que está mais propriamente argumentado em meu livro, com maiores reflexões e informações sobre o período do surgimento do trotskismo no Brasil e a questão do internacionalismo nesse contexto. Nós não podemos esquecer as origens da militância da esquerda marxista do período; ou seja, não podemos esquecer que a Revolução Russa aconteceu em 1917, e ela estava no centro das argumentações de toda aquela geração brasileira de intelectuais e futuros militantes trotskistas, que, à época de 1917, mal saíam da adolescência. Mário Pedrosa e Lívio Xavier, principais fundadores do primeiro agrupamento oposicionista de esquerda do Brasil, tinham exatamente 17 anos em 1917, quando Lênin assumia o Estado revolucionário russo.

Dentro desse contexto, é importante entendermos algumas afirmações feitas – que passavam obviamente não apenas pelo imaginário, mas também pelas convicções, ideias, argumentações e teorizações do período – sobre a questão do lugar da Revolução Russa no contexto internacional. Se pensarmos dessa forma, é mais fácil entender algumas afirmações, como a do jornalista e fundador do Partido Comunista Espanhol, que em 1920 escrevia o seguinte: “A Revolução Russa era o farol para o qual se dirigiam os que se salvaram do triste naufrágio ideológico e político da Internacional Socialista e da Internacional Sindical.” Ou a afirmação dos oposicionistas de esquerda, em 1930, no Boletim Internacional da Oposição de Esquerda: “A Oposição não deve esquecer sua origem. Ela nasceu na União Soviética.” Ou seja, a Revolução Russa de 1917 anunciava – em seus primórdios, pelo menos – a possibilidade de perseguir a concepção marxista em torno do Manifesto comunista de 1848 e de seu chamado pela unidade mundial da luta de classes. Lá já se encontrava o caráter internacional do proletariado e de sua revolução.

É nos desdobramentos da luta política que acompanhou a implantação da Revolução Russa, que os oposicionistas de esquerda passaram a chamar ainda nos anos 1920 de Revolução Traída, que devemos situar as origens da defesa e, ao mesmo tempo, do abandono da luta internacionalista pelos comunistas no século XX. Nascida no interior das lutas pelo poder político no partido russo, a própria Oposição de Esquerda se colocava como autêntica e única defensora da tese internacionalista do marxismo revolucionário, e isso marcou todas as seções da Oposição de Esquerda onde ela surgiu desde que, a partir da dissidência russa, se espalhou por outros países, principalmente pela Europa. Afirmar a estratégia de fazer da luta dos trabalhadores um movimento mundial torna-se parte constitutiva da oposição a Stalin, quando as forças deste acabam vencendo as forças da Oposição de Esquerda no embate pelo poder na União Soviética. Portanto, o contexto da questão russa desdobra-se necessariamente no desenvolvimento das Oposições de Esquerda nos outros países, porque, em sua origem, a própria Revolução Russa se identificava como um movimento internacionalista.

Dentro de toda essa discussão, e apesar da posição marginal do movimento comunista brasileiro até meados dos anos 1920, nós não podemos esquecer que a questão revolucionária internacionalista no Brasil constituiu sua história também por outras influências, como a dos anarquistas, a dos sindicatos independentes, e isso desde o século XIX – pelo menos desde 1870, como nos mostra uma farta bibliografia.

A verdade é que o Brasil foi se inserindo pouco a pouco nesse cenário internacional, e o Outubro de 1917 na Rússia evidentemente impulsionou e influenciou a formação dos primeiros grupos comunistas no Brasil, como a criação do Partido Comunista Brasileiro em 1922. A década de 1920 se caracteriza como uma década muito importante nas definições e nos rumos dos militantes, dos partidos comunistas e de seus desdobramentos dentro do contexto de revolução mundial, tendo para inspirá-los, sustentá-los e desafiá-los a Revolução Russa ocorrida poucos anos antes. Os anos de 1923 a 1926 acompanhavam uma Oposição de Esquerda que o historiador e militante Jean-Jacques Marie classificou como “esquartejada por uma contradição”.

O que ele queria dizer com isso? Coerentes com seu projeto político, mas com sua principal conquista na terra dos czares, os oposicionistas dependiam da maneira como evoluiria a luta de classes nos outros países, e ao mesmo tempo travavam uma intensa batalha dentro do único partido comunista vitorioso, o da União Soviética. Esse partido, comunista do mesmo modo, torna-se o maior prejudicado pelo fracasso das revoluções proletárias na Europa e na Ásia que dialogavam com o recém Estado socialista, o primeiro a ser implantado em moldes marxistas.

Outros acontecimentos do período são marcantes: em outubro de 1923, a burguesia alemã sufocava um levante importante do proletariado alemão, o mais poderoso da Europa naquele momento, e com esse sufocamento da esquerda abriu-se o caminho para a ascensão do fascismo. Tal evento levou a União Soviética a um aprofundamento de seu isolamento internacional e à procura de soluções internas para seu processo revolucionário. No quadro de estabilidade do capitalismo e, por outro lado, de afirmação das diretrizes burocráticas do Estado soviético, Trotsky reacende o debate em outubro de 1924, ao publicar As lições de outubro, em que demonstra a necessidade do partido de concretizar com êxito as situações revolucionárias em aberto em muitos países além da União Soviética.

Nesse momento explicitam-se as bases teóricas do que se tornou a grande polêmica do período, consolidada mais tarde por Trotsky no começo dos anos 1930: a teoria da revolução permanente e a igual necessidade do empenho objetivo do partido russo e da Internacional Comunista em intervir em situações revolucionárias que ocorressem nos diversos países do planeta. Em dezembro de 1924, Stalin responde no Pravda e classifica a teoria da revolução permanente de Trotsky como uma “desesperança permanente”, que colocava a Rússia na perspectiva de “vegetar em suas próprias contradições e apodrecer de madura à espera da revolução mundial”. Há muito mais do que um embate pelo poder; há um debate sob a perspectiva da revolução socialista, da revolução internacional. De um lado, está aquilo que ficou conhecido como a teoria do socialismo em um só país e, de outro lado, o confronto histórico que norteará a criação da própria Quarta Internacional.

Em 1930, todo esse cenário se agrava, como todos sabemos, com a quebra da bolsa em Nova York, a crise econômica se aprofunda internacionalmente, a Alemanha agudiza sua crise profunda desde a derrota da Primeira Guerra Mundial e abre o caminho para a ascensão do nazismo. Em 1930, Trotsky lança A revolução permanente, e ficam assentadas as bases teóricas do trabalho contra a teoria do socialismo em um só país. Também no mesmo ano Trotsky escreve A revolução desfigurada e A Terceira Internacional depois de Lênin. A questão que começa no seio do partido comunista russo ganha um âmbito absolutamente internacional em abril de 1930, quando é realizada a primeira conferência internacional dos autodenominados bolcheviques leninistas, acontecimento de suma importância para se firmarem as bases teóricas do movimento internacional, que ultrapassava as fronteiras da Rússia.

Por mais distante de nós que esse contexto possa parecer, é nele que Mário Pedrosa vivencia o debate político. Mas Mário fez esse debate já alimentado por suas leituras, por suas interlocuções com Lívio Xavier e seu professor Castro Rebelo, marxista conhecido na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, e por correspondências com o oposicionista de esquerda Pierre Naville – mesmo antes de Mário tentar ir para a Alemanha e ter uma relação mais estreita e presencial com os oposicionistas franceses, entre os anos de 1927 e 1928. Isso porque Mário já fazia parte de toda uma discussão de sindicalistas e militantes do Partido Comunista do Brasil que não se conformavam nem com os rumos da direção do próprio partido, nem com os rumos da União Soviética. Se há algo a assinalar do início da Oposição de Esquerda que originou o trotskismo no Brasil nos anos 1930, é exatamente sua adesão às teses do internacionalismo. E Mário Pedrosa lidera essa oposição.

Todo o debate era feito em algumas revistas da época: a principal delas era La Vérité, fundada em 15 de agosto de 1929 por iniciativa de Trotsky e com figuras muito importantes na história do trotskismo, como Pierre Naville, Pierre Frank, Gérard Rosenthal, Alfred Rosmer. Além de se colocar como aglutinadora dos oposicionistas franceses, La Vérité congregava momentos importantes da trajetória do trotskismo em vários países. Foram 255 números em várias fases, até 1935. Todas as publicações geradas neste período, em especial La Vérité, eram estudadas pelo grupo de amigos e companheiros de ideias e militância no PCB de Mário e Lívio, e todas as questões do isolamento do partido comunista junto à Internacional Comunista vinham a ser debatidas nesse pequeno grupo de militantes, que a priori simpatizava com as críticas da oposição de esquerda russa. Tais críticas vinham também da revista Clarté, importante publicação bastante lida e estudada pelos militantes brasileiros desde o final dos anos 1910.

Apesar do isolamento político-organizativo, esse pequeno agrupamento de brasileiros oposicionistas de esquerda, preparados intelectualmente e com atividade sindical assídua, trabalhou desde sua origem com a questão do internacionalismo. O grupo, que se solidarizou e se identificou com a Oposição de Esquerda no Brasil, não teve uma correspondência muito grande com o Secretariado Internacional – e não apenas eu o verifiquei em minhas pesquisas, mas também outros historiadores, como Pierre Broué, que já dizia em 1986 que a seção brasileira agia com muita autonomia, com uma ausência quase total de correspondência com o Secretariado Internacional, com o próprio Trotsky e com Leon Sedov, diferentemente de outras seções latino-americanas, como a mexicana e a argentina.

Mas não poderia ser mais explícita a resposta dos brasileiros a respeito de alguns pontos fundamentais da Oposição de Esquerda. Cito uma carta de 20 de abril de 1930, dirigida pelo agrupamento coordenado por Mário ao Secretariado Internacional Provisório da Oposição Comunista. Ela se reporta à decisão de uma reunião do Grupo Comunista Lenine, a primeira organização marxista que se reivindica da Oposição de Esquerda no Brasil, no dia 13 de março de 1930. Nesta carta os brasileiros definem-se pela seguinte linha política: “Desde agora, porém, por deliberação de nossa reunião de 13 de abril, estamos autorizados a declarar que nosso grupo adota a mesma posição de Trotsky e de VÉRITÉ em três questões: a teoria da edificação do socialismo num só país, a questão do Comitê Anglo-Russo e a questão chinesa.”

A estratégia do internacionalismo marcava vigorosamente, e desde o princípio, as seções da Oposição de Esquerda no Brasil, lideradas por Mário Pedrosa, e Jean-Jacques Marie, em seu pequeno, interessante e bem argumentado livro Trotsky e o trotskismo, dizia que, para Trotsky, a fundamentação principal de cada seção internacional da Organização de Esquerda era justamente não se prender apenas aos problemas de seus respectivos países, mas ter a envergadura clara de que a revolução só poderia ser internacional.

Esses são dados históricos que ressaltam as origens e são fundamentos da história do trotskismo no Brasil, bem distante das conspirações e ações entre amigos, mas frutos de intensa vida política e partidária, com forte leitura e aceitação do marxismo revolucionário como método de análise e de ação. Concordemos ou não com esses marcos teóricos e políticos, o fato histórico é que eles moldaram durante muitos anos o bom embate entre as organizações de esquerda no Brasil e em muitos países do mundo e construíram a história da luta pelo socialismo no século XX. Resta saber o que nos legaram para o século XXI quando os miramos com olhos distantes e a fria sensação de passado. Ou não?

São Paulo, 9 de agosto de 2021.


* José Castilho Marques Neto é autor do livro Solidão revolucionária – Mário Pedrosa e as origens do trotskismo no Brasil, Ed. Paz e Terra, 1993. Possui graduação em Filosofia pela Universidade de São Paulo (1976) e doutorado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (1992). Atualmente é professor assistente doutor aposentado da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Campus de Araraquara. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em História da Filosofia e Filosofia Política, atuando principalmente nos temas relacionadas à formação do pensamento de esquerda e marxista, notadamente no Brasil. Especializou-se também em editoração universitária e em políticas públicas de livro, leitura e bibliotecas, sendo consultor de organismos nacionais e internacionais de editoração e leitura, além de agências de fomento à pesquisa.